quinta-feira, 7 de abril de 2011

Galactosemia

Galactosemia

Definição
A galactosemia é um erro inato do metabolismo (de característica autossômica recessiva), caracterizado por uma inabilidade em converter galactose em glicose da maneira normal. O resultado imediato é o acúmulo de metabólitos da galactose no organismo, que passa a ter níveis circulantes elevados e tóxicos, principalmente para o fígado, cérebro e olhos.

A lactose do leite é a principal fonte de galactose na dieta. A hidrólise da lactose resulta em glicose e galactose. O principal passo do metabolismo da galactose, em humanos, é a conversão de galactose em glicose, o que requer várias etapas (via de Leloir).
Luis Federico Leloir nasceu na capital francesa em meados de 1906. Seus estudos iniciais se dividiram entre a Escola Geral San Martín, onde cursou o primeiro ano, o Colégio Lacordaire, o Colégio do Salvador e o Colégio Beaumont (este último na Inglaterra). Suas notas não se destacavam, nem por boas, nem por más, e sua primeira incursão universitária terminou rapidamente quando abandonou os estudos de arquitetura que havia começado no Instituto Politécnico de Paris. Leloir se dedicou a estudar o processo interno pelo qual o fígado recebe a glicose e produz o glicogênio, o material de reserva energética do organismo. Com Mauricio Muñoz, conseguiu oxidar ácidos graxos com extratos de células hepáticas. Em 1970, recebeu o Prêmio Nobel de Química. Posteriormente sua equipe se dedicou ao estudo das glicoproteínas – e determinou a causa da Galactosemia. O metabolismo da galactose é atualmente conhecido no mundo científico como via de Leloir.
Em um fígado normal, a maioria da galactose é convertida em glicose em pouco tempo. 

Normalmente a via segue a seguinte ordem:
  1. A galactose é fosforilada pela galactoquinase para formar galactose-1-fosfato
  2. A galactose-1-fosfato reage com a UDP-glicose resultando em dois produtos: a UDP-galactose e a glicose-1-fosfato, numa reação catalisada pela enzima galactose-1-fosfato uridil-transferase, (a glicose-1-fosfato produzida pode ser convertida a glicose);
  3. A UDP-galactose formada é convertida em UDP-glicose pela UDP-galactose 4 epimerase. Sendo, assim, a UDP-glicose pode entrar na reação novamente, de uma forma cíclica, até que toda a galactose que entra na via seja convertida a glicose. 
Caso haja algum problema com alguma enzima da via, duas outras vias entram em ação, levando à redução da galactose a galactitol, por intermédio da aldose redutase, ou à oxidação a galactonato, por intermédio da oxidase ou da desidrogenase.
Quando não há entrada de galactose na via metabólica (ou por bloqueio enzimático, ou por falta de ingestão) a UDP-galactose assume o papel de doador de galactose para a formação dos complexos glicoprotéicos e glicolipídicos. Estes compostos se transformam nas células, levando à liberação de galactose, que pode entrar novamente na via de metabolismo da galactose.
Metabolismo anormal da Galactose
Galactose Galactoquinase (GALK), galactose-1-fosfato uridil transferase (GALT), uridina-difosfogalactose 4-epimerase (GALE) são enzimas da via da galactose. Quando ocorre deficiência na síntese ou na utilização dessas enzimas pela via temos a ocorrência de um quadro de galactosemia. Essa doença não deve ser confundida com intolerância à lactose, já que esta é substrato para a formação de galactose. Intolerância à lactose é uma reação alérgica que algumas crianças adquirem por laticínios.

Tipos de galactosemia

Galactosemia Tipo 1 ou deficiência da GALT

Este é o tipo mais comum de galactosemia cuja deficiência está na enzima galactose-1-fosfato uridil transferase. Esta disfunção leva ao acúmulo de galactose 1-fosfato impedindo a formação de glicose-1-fosfato que entraria na glicogenólise (degradação do glicogênio).
A incidência desse tipo é de 1:50000 neonatos.
Abaixo simplificamos como ocorre essa reação.


Galactosemia Tipo 2 ou deficiência da GALK
Consiste no defeito na galactoquinase, quando ocorre esta deficiência enzimática a galactose se acumula, podendo tomar vias alternativas. Ela pode ser convertida a galactitol que é um polialcool de toxidade elevada, ou galactonato que também é um produto tóxico.
A incidência dessa deficiência é de 1:40000 neonatos.
Abaixo representamos como ocorre essa reação.
Galactosemia Tipo 3 ou deficiência da GALE
Consiste na deficiência na uridil difosfogalactose-4-epimerase. A doença pode aparecer em duas formas diferentes: uma fase inicial (assintomática - enzimas deficientes apenas nos eritrócitos) e uma fase severa (possuem sintomas clássicos da doença - enzimas deficientes nos eritrócitos e nos fibroblastos).


Abaixo se encontra a representação da reação.
  • Há também outros tipos de galactosemia. A Galactosemia de Duarte é um deles. Essa variante da doença apresenta uma diminuição da atividade enzimática no eritrócito que geralmente não tem importância clínica, sendo portanto, assintomática. A seguir disponibilizamos um vídeo que explica detalhadamente o que consiste essa variante.

Principais sintomas

galactosemia afeta principalmente o fígado, os olhos, os rins e a região cerebral.
Nas células do epitélio do cristalino (no olho), o acúmulo do galactitol causa um aumento da osmolaridade, o que resulta na retenção de água, além da diminuição da solubilidade das proteínas da lente. Ocasionando, assim, na formação da catarata

acúmulo anormal de galactose-1-fosfato causa uma ação sobre a célula hepática, levando à cirrose. A ocorrência de icterícia nos primeiros dias também é verificado e ocorre devido ao excesso de bilirrubina não conjugada no sangue.

Ocorre também o surgimento de aminoacidúria secundária e hipoglicemia (provavelmente devida à inibição da fosfo-glicomutase e da glicose-6-fosfatase).
Outros sintomas também decorrentes da doença são: anorexia, perda de peso, ascite, distensão abdominal, hemorragia, falência ovariana, letargia, septicemia (devido a uma inibição da atividade bactericida dos leucócitos) e atraso de desenvolvimento psicomotor (retardo mental).

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito no período pré-natal ou no período neonatal.
    No período pré-natal, o diagnóstico é feito através da amniocentese . Amniocentese é um procedimento que consiste na retirada de pequena quantidade de líquido amniótico para estudo laboratorial. A retirada de líquido é feita pela introdução de uma agulha de fino calibre na cavidade amniótica - neste exame, a agulha é introduzida em área distante do feto, sempre direcionada pelo ultra-som, sanando, assim, riscos de lesão do seu organismo. No exame são retirados cerca de 20ml do líquido, e é realizada a partir do quarto mês de gestação. O processo é quase indolor e dura cerca de 20 segundos.
    No caso da galactosemia, é feito um estudo para conferir os níveis de galactitol no líquido amniótico ou são feitos estudos enzimáticos para medir os níveis da galactose-1-fosfato uridil transferase.
    No período neonatal é efetuado o Teste do Pezinho. A triagem neonatal é feito a partir de gotas de sangue colhidas do calcanhar do recém-nascido. Por ser uma parte do corpo rica em vasos sanguíneos, o material pode ser colhido através de uma única punção, rápida e quase indolor para o bebê. Recomenda-se que o exame seja feito apartir de 48h e antes de 30 dias de nascimento. No caso da galactosemia, através do sangue colhido, pode ser feito um estudo o qual demonstra a ausência ou deficiência da uridil-tranferases ou níveis elevados de galactose-1-fosfato nas hemácias. A seguir estão os valores normais e alterados das concentrações.
    - Valores Normais: até 1 mg/dL (88% das crianças); entre 1-5mg/dL (12% das crianças).
    - Galactosemia clássica : >20 mg/dL

Tratamento

O tratamento é baseado na eliminação total da galactose da dieta, desde que MASON e TURNER, em 1935, descreveram que a remoção da galactose da dieta eliminava a síndrome de toxicidade aguda. Porém essa medida só é benéfico para os portadores da galactosemia tipo 1 e tipo 2. No caso da galactosemia tipo 3, os pacientes não devem ter sua alimentação totalmente restrita de galactose, isso se deve ao fato desses indivíduos serem dependentes da galactose exógena, que é um precursor necessário para a síntese de complexos de glicoproteínas, glicolipídeos, galactoproteínas e galactolipídeos. Portanto, para esses pacientes, o tratamento se restringe em prover pouca quantidade de galactose - quantidade essa que não será maléfica ao organismo e irá atender às necessidades do indivíduo. É importante, também, que ocorra um monitoramento constante do nível da galactose existente no organismo. 

Quando detectada por amniocentese é recomendado que a mãe já elimine a galactose da dieta cujo objetivo é sanar os sintomas presentes no nascimento, por exemplo, a ocorrência da catarata. Com um tratamento precoce, qualquer dano no fígado que por ventura tenha ocorrido nos primeiros dias de vida, serão completamente sanados.
** Dados obtidos da American Liver Foundation
Um outro tratamento é a Rã Terapia, que consiste em utilizar a carne de rã (Rana catesbeiana Shaw, 1802) como base alimentar no tratamento de crianças com erros inatos do metabolismo de carboidratos simples (frutosemia e galactosemia). A terapia nutricional deve ser implementada o quanto antes, através da modificação do padrão alimentar do paciente, restringindo os componentes metabólicos e fornecendo nutrientes em quantidades adequadas para possibilitar o crescimento físico e o desenvolvimento neuropsicomotor normais. A carne de rã é indicada no tratamento da galactosemia por apresentar baixo teor de carboidratos e elevado de proteínas (ALMEIDA et al., 2007), como mostrará a tabela abaixo. Possui fácil digestibilidade e é rica em minerais, como o cálcio, e em vitaminas. Portanto, a utilização na dieta de pacientes com galactosemia auxilia na oferta de nutrientes para manutenção da saúde colaborando para a qualidade de vida destes indivíduos.

Galactose nos alimentos

O leite e os produtos lacticínios são as principais fontes de galactose; algumas carnes - principalmente vísceras - e leguminosas também são grandes fontes do açúcar. A galactose também pode ser encontrada (em menores quantidades) em frutas, vegetais e frutos do mar (por exemplo, algas), entretanto, ainda não se sabe se as pequenas quantidades de galactose presentes nesses alimentos causam problemas a longo prazo.

A tabela a seguir mostra a quantidade de galactose em alguns alimentos.

Informações retiradas do blog: http://galactosemia-biobio.blogspot.com/ 

Patau

Síndrome de Patau

A vida de um ser só é possível devido à junção dos 23 cromossomas paternos e maternos o que perfaz um total de 46 cromossomas. Contudo, em alguns casos isso não se verifica e em vez de 46 cromossomas podem existir 45 ou 47, estas alterações designam-se alterações cromossómicas numéricas


Esta doença foi reconhecida em 1960 por Klaus Patau, que este observou um caso de deformações múltiplas num bebé, que era trissómico para o cromossoma 13.

A sua existência foi estimada em cerca de 1 caso para 6000 nascimentos.
Cerca de 45% das pessoas afectadas falecem após o primeiro mês de vida, 70% aos 6 meses e somente 5% dos casos sobrevivem mais de 3 anos.
Em 40% destes casos a mãe tem mais de 35 anos.

Esta doença tem origem no óvulo feminino, pelo facto de a mulher produzir geralmente apenas um oócito, em antagonismo com o homem, que produz milhões de espermatozóides.
Gâmetas masculinos portadores de alterações numéricas cromossomicas têm menos viabilidade do que gâmetas normais, sendo poucas as possibilidades de um gâmeta masculino com 24 cromossomas fecundar um oócito.


Características dos portadores 



O fenótipo inclui ves do sistema nervoso central comdeformações grao arrinencefalia. Um atraso mental acentuado está presente. Em geral há defeitos cardíacos congénitos e defeitos unigénitas incluindo criptorquidia nos meninos, útero bicórneo e ovários hipo plásticos nas meninas gerando inviabilidade, e rins poli císticos. Com frequência encontram-se fendas labiais e palato fendido, os punhos cerrados e as plantas arqueadas.


A fronte é oblíqua, há hipertelorismo ocular e microftalmia bilateral, podendo chegar a anoftalmia, coloboma da íris, olhos são pequenos extremamente afastados ou ausentes. As orelhas são mal formadas e baixamente implantadas. As mãos e pés podem mostrar um quinto dedo (polidactilia) sobrepondo-se ao terceiro e quarto, como na trissomia do 18.


Diagnostico da doença

- Baixo peso corporal (2.600Kg); - Microcefalia e testa achatada; ; - Queixo pequeno; - Defeitos na face média e cérebro anterior; - Orelhas dismórficas de implantação baixa e surdez aparente; - Pescoço curto; - Fronte inclinada;
- Distância intermamilar grande;
Apêndice pré-sacral e fóvea coccigeana; - Hérnia inguinal ou umbilical; - Pés com hexadactilia uni- ou bilateral e com região plantar convexa (pés em cadeira de balanço); - Arco ou arco retorcido em S na região halucal. - Deficiência mental; - Útero bicorne; - Atrofia ou ausência das últimas costelas e de vértebras, e hiperplasia sacral

Prognóstico
O prognóstico vital dos pacientes com trissomia 13 (síndrome de Patau) é grave, falecendo a maioria com problemas cardio-respiratórios. O caso de maior sobrevivência publicado, de sexo feminino, chegou aos 19 anos de vida. A sobrevivência dos casos com translocação parece ser superior do que a trissomia regular.Em todos os casos o retardo psicomotor é grave, impedindo a aquisição das funções básicas do desenvolvimento, como a linguagem. O quoeficiente de Inteligência média dos pacientes com trissomia 13 é muito baixo, e tende diminuir com a idade

Causa da síndrome
A ocorrência do síndrome de Patau está associada à idade materna, e a provável causa é a não disjunção dos cromossomas durante a meiose.
Aproximadamente 35% dos casos já relatados foram de mães com mais de 35 anos de idade.


Tempo de sobrevivência dos afectados

25% morrem com 1 mês de vida;
70% morrem com 6 meses de vida;
5% sobrevivem mais do que 3 anos de vida;
A maior sobrevivência relatada tinha 10 anos de idade.


Tratamento

Os recém-nascidos com trissomia 13 necessitam de assistência médica desde o momento do seu nascimento. Dado que as anomalias cardíacas representam a causa principal de morte nesta doença, colocam-se um problema ético de que se a sua recuperação cirúrgica será viável devido ao péssimo prognóstico do quadro clínico tanto desde o ponto de vista físico como intelectual. Cerca de dois em três pacientes são-lhes dados alta e necessitam de atenção especializada em casa, requerendo a intervenção de uma equipa multidisciplinar. Os pais dos pacientes são previamente ensinados para realização de determinadas tarefas e manobras que podem ser de importância vital para a sobrevivência do paciente.
Para esta doença não existe tratamento generalizado nem viável. Porém, pode-se recorrer em intervenções cirúrgicas para melhorar algumas anomalias.



Deformações nos genes




Sintetizando:
Referencias:


Informações retiradas do blog:http://bgm-toujours-101108.blogspot.com/2009/06/sindrome-de-patau.html