terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mais um pouquinho de fenomenologia....

A Fenomenologia de Babel


O filme Babel, dirigido por Alejandro González Iñárritu e escrito por Guillermo Arriaga, é a parte final dos dramas de narrativas múltiplas que ficaram conhecidos como “a trilogia da morte”, iniciada com Amores Perros e 21 Gramas. Babel expõe quatro narrativas compostas por diferentes grupos de personagens e diferentes situações, todas interrelacionadas, onde os eventos não são exibidos em uma seqüência natural, sacrificando a clareza. Enquanto este artifício parece ter funcionado com a crítica, já que o filme recebeu muitos prêmios e elogios, uma boa parte da audiência acredita que falta de clareza não é necessariamente uma qualidade, mas sim um meio de criar o efeito “a nova roupa do rei.”
Segundo Edmund Husserl, a fenomenologia é “o estudo reflexivo da essência da consciência da forma que esta é experienciada de uma perspectiva de primeira pessoa.” E foi justamente conversando com meus colegas que fiz algumas das conexões mais interessantes entre as situações exibidas no filme e essa vertente da fenomenologia. Uma colega me relatou algo assim: “Não, vê só, no começo do filme o homem dá uma arma para as crianças, dois guris deste tamanho , uma coisa horrível!” Outro colega me disse que o problema era “a japonesa tarada, porque o pai dela não dava atenção nem para ela e nem para a mãe dela.” Até então eu não havia assistido ao filme, mas guardei esses comentários para ver se concordaria ou não com eles.
Assistido ao filme, notei que o homem que dá uma arma para as crianças é um criador de cabras do Marrocos, e que as crianças são seus filhos. É realmente uma coisa horrível ver um pai entregando uma arma carregada para seus filhos, especialmente para nós, que crescemos em zonas urbanizadas. Mas na área rural, seja no Marrocos ou no Brasil, não é incomum que crianças trabalhem na criação de animais e que saibam manejar armas para proteger a criação dos predadores. Estaria minha colega equivocada no seu comentário? Não, a conseqüência do manejo da arma pelas crianças mostra que, eliminando aquilo que é adicionado ao fato – ou fenômeno – observado, o resultado é horror. Contudo, conhecendo um pouco melhor o ocorrido, desenvolve-se uma compreensão mais ampla sobre aquela situação em particular: a realidade de que crianças de áreas rurais aprendem, de uma forma não muito segura, a usar armas desde muito cedo. No modelo de produção rural familiar, os pais contam com os filhos para ajudar nas tarefas diárias, não como uma forma de explorar o trabalho dessas crianças – elas estão trabalhando para aquilo que lhes será deixado de herança – mas como uma maneira de passar adiante as ferramentas ou o conhecimento necessário para poder manter a herança deixada pelos pais. Seria o caso de condenar o modelo de produção rural familiar ou seria o caso de lidar com o problema em si? Talvez a ONU, ou alguma outra organização internacional, devesse imprimir uma cartilha com algumas regras de segurança para o manejo de armas, tais como: nunca, jamais, em hipótese alguma, apontar a arma para uma pessoa ou para uma habitação onde possam haver pessoas ou para um veículo que possa estar transportando pessoas; e distribuir tal cartilha entre as famílias que vivem dessa maneira em áreas com comércio irregular de armas de grande calibre. Com certeza os pais iriam passar a informação aos filhos, da mesma forma que ensinaram seus filhos a guiar o rebanho e outras funções da vida rural.
Também notei que a japonesa realmente tinha problemas de fundo emocional para lidar com pessoas do sexo masculino, e que o pai da japonesa realmente não era uma pessoa muito dedicada à filha. A observação do meu colega, embora não ficasse completamente clara no filme sendo, portanto, baseada em suposições, não estava completamente errada. Mas seria justo eliminar dessa equação os milhares de anos de história da construção da cultura japonesa? Anos estes que culminaram no surgimento de uma sociedade que, mesmo pelos padrões modernos, possui costumes que ainda são difíceis de aceitar dentro de uma visão ocidental. Uma vez que nós ocidentais reconhecemos o problema crescente de individualismo como modo de vida, pregado pela visão capitalista dominante, os japoneses possuem um individualismo sexista já enraizado em sua cultura e que apenas se fortaleceu com a queda do império e modernização dos modos de produção após o final da Segunda Guerra Mundial. Como exemplo dos extremos comuns aos japoneses podemos citar: a pressão e cobrança por sucesso pessoal; a manutenção da honra familiar que normalmente recai sobre os ombros dos filhos homens e está relacionada ao sucesso pessoal e enraizada até mesmo na religião professada pela maioria dos japoneses; o papel da mulher na sociedade japonesa, onde as mulheres ainda são sujeitas até mesmo a abusos sexuais nos metrôs como forma de uma manifestação da cultura oriental em si, embora admitidamente errada no contexto da atualidade. Seria justo esperar que naquela sociedade um pai agisse de maneira diferente da maneira que agiu o Sr. Wataya em relação às mulheres de sua família? É muito fácil julgar quando temos o sangue latino – indiscutivelmente passional – correndo pelas veias.
O filme, por se passar em locações e realidades tão diversas quanto os Estados Unidos, o Marrocos e o Japão, cruza diversas fronteiras culturais em que julgamentos devem ser feitos com extremo cuidado para não basearem-se no etnocentrismo ou em um viés cultural (cultural bias). Se, por um lado, na raiz da fenomenologia está a experiência imediata como descrita por Wundt, Husserl pega emprestado o conceito de intencionalidade de Betrano para que, livre de pré-conceitos o observador possa usar o discernimento ao avaliar um fenômeno. Foi justamente a falta do discernimento uma das críticas mais duras à introspecção, que levou a necessidade do desenvolvimento de novas vertentes e do desenvolvimento da própria Psicologia que temos o imenso prazer de estudar agora. Em um mundo perfeito, contaríamos com profissionais que fossem treinados para desprezar seus preconceitos e fossem detentores de discernimento suficiente para avaliar caso a caso o passado (background) de seus clientes. Infelizmente muitos ainda preferem pegar o atalho mais fácil e utilizar lentes culturais que enquadrem as realidades apresentadas – ou ainda por apresentar – em sua própria subjetividade. Desta maneira, jamais desenvolvem empatia alguma com seus clientes e jamais entram em contato com a realidade vivenciada por eles.
Eu gostaria de ter um conhecimento mais aprofundado da Gestalt Terapia de Perls para poder encaixar melhor a subjetividade vivenciada por ele no desenvolvimento de suas teorias à fenomenologia da maneira que se deixa transparecer no filme, mas estamos apenas nas primeiras aulas sobre esse teórico que já exerce certo fascínio. Para mim seria mais fácil relacionar com Sigmund Freud, que embora tenha vivido em um local e uma época extremamente etnocentrista, foi capaz de pensar fora-da-caixa e propor que o terapeuta se deixasse absorver pela subjetividade do paciente (ou cliente) pelo método de associação livre – pegando uma carona naquele trem e sentando na janela para observar a paisagem. Para nós, contemporâneos da Era Digital, é valido ressaltar que não é possível fazer isso sem conhecer a cultura e o passado do paciente, coisa especialmente complexa em um mundo globalizado onde as culturas se entrelaçam pela hiper-conectividade.
Ainda que tenhamos dificuldade para assimilar nossas diferenças culturais e pessoais, para melhor compreender as pessoas com as quais deveríamos nos encontrar no exercício da Psicologia, é no mínimo uma obrigação a utilização das ferramentas que nos são entregues por pessoas que foram capazes de ver muito além daquilo que vemos, tais como os teóricos/filósofos da Fenomenologia, para que tentemos alcançar essa sintonia e compreensão. Sem enganos, a vida é dura para as mulheres no Japão, assim como é dura para as crianças em áreas rurais do Marrocos, e até mesmo para o casal americano que tenta resolver suas crises conjugais em uma viagem exótica; é papel do psicólogo endurecer ainda mais essas vidas humanas? Eu acredito que não. Antes devemos entrar em contato com as diferentes realidades para depois tentar ser uma luz guia em direção à “arte do bem viver”. Caso contrário, podemos nos tornar iguais àqueles agentes da imigração do filme, impassíveis diante de qualquer argumentação, meras máquinas de reproduzir comandos e executar ordens. A sociedade já está repleta desse tipo de atitude, e consegue com isso provocar essa verdadeira epidemia de pessoas que não conseguem encarar a vida da maneira que é apresentada, recorrendo a diversas fugas por medo de uma coisa tão simples quanto olhar a si mesmo no espelho da consciência.

Baseado em um trabalho para a disciplina de Fenomenologia.

Resuminho de Sociologia



 
 
Obs: Não é sobre o nosso livro.
Retirado de:

Fenomenologia

Refere-se sempre a alguma
coisa diferente dela mesma."

Qualia, um termo estranho para algo que não poderia ser mais familiar para cada um de nós: a maneira como vemos as coisas. Considerando conscientemente nossa própria consciência estamos submetendo a mesma aos "seus" próprios qualia?

Imagem retirada do blog:

Síndrome de Locked-In


No conto Thérèse Raquin, de Émile Zola, é feito um relato de uma senhora chamada de Madame Raquin que, após um segundo derrame sofrido em decorrência da morte de sua filha, Camille, torna-se gradualmente tomada por uma paralisia incapacitante que evolui para a síndrome de Locked-In. Durante a evolução de sua debilidade ela é pajeada pelos assassinos de seu filho, Laurente e Thérèse. No texto do autor francês, é feita uma detalhada descrição da degenerescência da ligação da personagem com o seu corpo e o mundo, assim como as emoções e situações relacionais com os personagens que a cercam.
A síndrome de Locked-in faz com que os pacientes permaneçam cientes e despertos, mas incapazes de se mover ou de se comunicar dada a paralisia que praticamente todos os músculos voluntários do corpo. Esta condição é resultado de uma lesão no tronco cerebral na qual a parte ventral da ponte é danificada. A síndrome de Locked-in é descrita como "a coisa mais próxima de ser enterrado vivo". As pessoas que sofrem da síndrome de Locked-in podem ser capazes de comunicar-se utilizando movimentos oculares, piscando e movendo os olhos, pois geralmente tais movimentos são preservados.
Imagem da Wikipedia - Jean Dominique BaubyNa vida real, um caso notável que tornou-se conhecido pelo público, foi o do jornalista parisiense Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle. Em dezembro de 1995 ele sofreu um derrame, aos 43 anos de idade e, quando acordou 20 dias depois, encontrou-se completamente incapaz de comunicar-se a não ser por meio de movimentos com o olho esquerdo.
Ainda que nesta situação horrível, Bauby encontrou forças e foi estruturado o suficiente para lidar com a situação, chegando a escrever um livro relatando suas memórias de sua vida pregressa e sobre sua vida como um "bernardo-eremita isolado em sua concha". Foi necessária uma enorme persistência para ditar o livro, piscadela por piscadela, mas é tocante a humanidade de suas palavras. Ao narrar sua rotina, ele descreve momentos de felicidade ou mesmo de um certo prazer, como que em uma busca pela aceitação de sua situação, da mesma forma que os mesmos procedimentos, no dia seguinte, lhe são motivo de profunda tristeza.
O título de seu livro é Le Scaphandre et le Papillon (O Escafandro e a Borboleta), onde o escafandro é seu corpo, mergulhado na imobilidade, e a borboleta é sua imaginação. E, parafraseando Mallon, que escreveu sobre o livro para o NY Times: "insuportável é uma palavra que se torna difícil de ser usada, depois que lêmos este livro."


Referências:
HAWKES, C. H. "Locked-in" Syndrome: Report of Seven Cases. no bmj.com (texto curto mas bastante informativo).
In the blinking of an eye (No piscar de um olho), artigo do NY Times por Thomas Mallon sobre Jean-Dominique Bauby.
Locked-in syndrome, na Wikipedia.
Texto integral de Thérèse Raquin, de Émile Zola, no Projeto Gutenberg.

Sensação e Percepção - Paladar, Olfato e demais sentidos


Aviso: Este resumo de nada serve sem o acompanhamento das aulas e o estudo do conteúdo dos livros. A finalidade deste resumo é servir como ferramenta de memorização e fácil acesso às informações já conhecidas e compreendidas no contexto de aula.Paladar:
É um sentido químico, que é útil de duas formas: para que reforce nosso comportamento alimentar, fazendo com que procuremos certos nutrientes, e para que possamos reconhecer substâncias nocivas para a nossa saúde que estejam presentes na alimentação ou em outras coisas que passem pelo nosso trato gustativo. Nossa língua conta com papilas gustativas, onde encontram-se duzentos ou mais brotos gustativos, cada um contendo um pólo capaz de detectar elementos químicos que se traduzem nas sensações de doce, salgado, amargo e azedo. Os detectores especializados de localização conhecida, até o momento, são aqueles capazes de detectar as sensações amargas, doces e o "umami" - os receptores especializados em perceber o "umami" são os responsáveis pela detecção de certos aminoácidos, tais como o glutamato monossódico, daí a sensação de um sabor mais rico em alimentos tratados com essa substância (o consumo excessivo de glutamato monossódico pode causar danos à saúde).
Nossa resposta aos sabores é geneticamente determinada, e o gosto pelo consumo de açúcar, que juntamente à outros fatores vem criando problemas de obesidade em países desenvolvidos, é uma herança da dificuldade que nossos ancestrais tinham de encontrar alimentos ricos em glucose no passado remoto da humanidade. Alimentos ricos em nutrientes mais comuns, tais como as gorduras, não excitam tanto os receptores de sabor quanto alimentos ricos em nutrientes mais difíceis de encontrar na natureza; assim como alimentos estragados, que logo despertam a repulsa.
A interação sensorial se dá com a participação do sentido do olfato no sentido do paladar. Sem o olfato teremos dificuldades para distinguir os sabores. Neste sentido, os sabores são formados pelo odor (olfato), pela gustação (paladar) e pela textura (tato, também presente na língua) daquilo que ingerimos.

Olfato:
Os cheiros que sentimos são, para nosso desgosto em certas situações, moléculas daquilo que estamos sentindo o cheiro. Assim como o paladar, o olfato é um sentido químico e que nos ajuda a reconhecer alimentos, substâncias nocivas e, se desconsiderarmos a existência do NC0 (nervo craniano zero), ou se considerarmos ele parte integrante do sistema olfatório, também possui papel fundamental no nosso comportamento reprodutivo, na detecção de feromônios que, segundo uma hipótese, são chave para que saibamos instintivamente a compatibilidade genética e a saúde sexual dos pares. Como visto anteriormente, o olfato desempenha papel essencial para que possamos saborear os alimentos, de maneira que ele também é importante no mecanismo de recompensa que faz com que nos alimentemos.
No desenvolvimento humano, o olfato é responsável pela captação de hormônios secretados pelos bebês que estimulam a produção de leite nas mães e que diminuem a produção de testosterona nos pais, deixando os machos mais calmos para desempenhar suas funções paternas. Por sua vez os bebês reconhecem o cheiro dos pais, em especial o cheiro do leite materno, sendo capazes de distinguir o leite de sua mãe do leite de outras mães (a amamentação trás enormes benefícios tanto físicos quanto emocionais para a mãe e para o bebê).
Diferentemente das células fotorreceptoras da retina, que são especializadas em detectar luzes e cores e que, em junção, detectam formas e contrastes, sendo, portanto, apenas de dois tipos diferentes, as células responsáveis pelo olfato são bastante variadas, especializadas em reconhecer as moléculas de diferentes tamanhos e composições que trazem as informações olfativas.
Dentre as partes ativadas no cérebro para que possamos sentir os cheiros, estão o bulbo olfativo, o córtex olfativo, no lobo temporal, e partes do sistema límbico envolvidas na emoção e nas memórias - daí o motivo pelo qual alguns cheiros são capazes de despertar memórias remotas.

Propriocepção, Equilíbrio e Cinestesia:
Considerada como sendo o "verdadeiro" sexto sentido, a propriocepção é o sentido que nos permite saber a posição relativa do nosso corpo no espaço, a localização dos nossos membros em relação ao nosso corpo e o momentum da aceleração do nosso corpo e membros.
Enquanto o sentido de movimento inferido pelos pêlos que recobrem nosso corpo (tato) pode indicar tanto que estamos em movimento (como quando sentimos o atrito do ar em nossos pêlos quando andamos de bicicleta), quanto que estamos estáticos e o ar está se movendo à nossa volta (vento) e, enquanto que o sentido de equilíbrio destina-se apenas à balancear o nosso corpo para que possamos nos mover de forma harmoniosa, a propriocepção interage com estes dois sentidos mas vai além, permitindo que consigamos alcançar objetos com os braços, em alguns casos até mesmo sem o feedback visual, e movimentarmos nossos membros de forma coerente em relação ao nosso corpo e aos objetos que o cercam.
Uma pessoa que perdesse totalmente o sentido do tato ficaria apenas com uma deficiência na propriocepção, da mesma forma que uma pessoa que sofresse algum dano no sentido vestibular (ou de equilíbrio) perderia completamente o balanço, mas ficaria apenas com uma deficiência na propriocepção.
A propriocepção é usada como sinônimo de cinestesia por alguns autores, porém outros utilizam a cinestesia para dar ênfase ao sentido de movimento, excluindo o sentido de balanço. Neste caso, alguém que sofresse um dano no sentido vestibular teria uma degradação do sentido de propriocepção mas nenhuma degradação no sentido de cinestesia.
Fisiologicamente é preciso saber que a propriocepção consciente se dá pela via dorsal leminisco medial para o cerebelo, e que a propriocepção inconsciente se dá pelo trato dorsal espinocerebelar, ou seja, que são duas vias, uma consciente e outra inconsciente, que são principais para o sentido de propriocepção; mas o sentido é, na verdade, informação composta dos neurônios localizados no ouvido interno, nos neurônios que dão a sensação de contração e distensão muscular e movimentos das juntas, e a cinestesia é informação composta dos neurônios do ouvido interno e daqueles responsáveis pelo sentido de tato .


Fontes:
Myers, Psicologia; Davidoff, Introdução à Psicologia.
eMedicine.com from WebMD.
O Segredos dos Sentidos. Revista Mente & Cérebro edição especial n. 12. Ediouro : São Paulo.
Sensory system. Wikipedia.

Tato e Dor

Sensação e Percepção - Tato e Dor


Aviso: Este resumo de nada serve sem o acompanhamento das aulas e o estudo do conteúdo dos livros. A finalidade deste resumo é servir como ferramenta de memorização e fácil acesso às informações já conhecidas e compreendidas no contexto de aula.

Tato:

Enquanto animais sociais, consideramos a visão e a audição dois dos nossos principais sentidos, pois são parte essencial da comunicação verbal, permitindo que ouçamos o que nos é dito e que observemos o feedback gestual e expressão facial das pessoas com quem falamos. Contudo, o sentido do tato também desempenha um papel vital quando interagimos com outras pessoas: quanta informação se pode inferir a partir de um aperto de mãos em uma reunião de negócios?, qual o valor do abraço de um amigo num momento difícil?, qual a importância do contato físico com os pais para o desenvolvimento saudável de uma criança? Todos nós temos alguma idéia das respostas para estas perguntas, pois nos beneficiamos da interface permitida pelo tato diariamente.
Além de suas importantes funções sociais, o tato é possui grande valor para a nossa sobrevivência, uma vez que ele engloba diversos outros sentidos, tais como a pressão exercida sobre a superfície da pele, o calor e o frio, três sentidos que quando expostos à extremos podem se traduzir em dor que nos avisam sobre possíveis danos iminentes aos tecidos; e não apenas estes, mas também a percepção da movimentação do ar a nossa volta pode ser percebida pelos pêlos que recobrem a pele. Da mesma forma, tato pode nos informar sobre a viscosidade de líquidos, do óleo à água, da textura das superfícies que tocamos e nos trazer alguma informação química que se traduz em dor, no caso da pele exposta à amônia ou à águarras.

Dor:
A dor, ou o sentido da nocicepção, é indispensável para a manutenção da nossa saúde e da integridade dos nossos tecidos. É a ausência da dor, por exemplo, que causa os ferimentos tão característicos ao mal de Hansen, também conhecido como lepra (o Brasil permanece entre as áreas globais onde há maior incidência de lepra, perdendo apenas para alguns dos países mais pobres do continente Africano). Pessoas com insensibilidade congênita à dor também estão sujeitas a sofrerem ferimentos terríveis e incapacitantes pode desconhecerem ou ignorarem os limites do próprio corpo, de maneira que crianças que sofrem dessa alteração costumam apresentar repetidas fraturas em vários ossos, em especial os ossos das pernas e dos braços.
A dor, por mais que doa, é essencial para a sobrevivência.
A sensação de dor não depende exclusivamente do nervos receptores espalhados pelo nosso corpo, mas também, em grande parte, do nosso cérebro. A comprovação disso aparece na forma dos membros fantasmas, membros que foram amputados mas que continuam sendo percebidos pelo cérebro e causam imensa dor nos pacientes. Dois expoentes mundias da pesquisa de membros fantasmas são Oliver Sacks e V. S. Ramachandran.
Teoria portão: a medula espinhal contém um "portão" neurológico que pode tanto transmitir a dor por meio da ativação de fibras finas quanto podem bloquear a sensação de dor por meio da ativação e estimulação das fibras grossas, que transmitem outros sinais.
A percepção da dor é subjetiva e individual, podendo uma dor de origem externa ser aliviada ou potencializada pela percepção do sujeito ou seu estado emocional e, inclusive, crenças, valores e contexto social. Desta maneira, além da anestesia, acupuntura, estimulação elétrica, cirurgia, exercícios e relaxamento, o controle da dor também pode ser realizado voltando a atenção do sujeito para outras coisas.

Obs.: a dor é um bom exemplo tanto de processamento do tipo ascendente quanto de processamento do tipo descendente.

Fontes:
Myers, Psicologia; Davidoff, Introdução à Psicologia.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Audição

Audição:Sentido de função altamente adaptativa, a audição foi útil aos nossos ancestrais em suas atividades de caça e de defesa (é importante ter em mente, sempre, nossa condição de "mamíferos de porte médio", pois ela é decisiva na maneira como interpretamos o mundo e, inclusive, na maneira como fazemos ciência). Hoje em dia, para o ser humano moderno, é notável a importância da audição e sua sensibilidade às diferenças entre vozes, nos cuidados para com os bebês, por exemplo, sendo que se destaca a capacidade das mães de reconhecerem pequenas variações no choro do bebê que indica diferentes necessidades. Nossa audição é adaptada para captar melhor aqueles sons dentro da faixa de freqüência da voz humana.
O estímulo sonoro é dependente de uma mídia que o propague, tal como o ar, pois aquilo que escutamos é a vibração das moléculas desta mídia - as ondas sonoras, captada por nossos ouvidos.
A energia destas ondas, ou amplitude, é chamada de intensidade ou audibilidade, e é medida em decibéis (dB), sendo que 0 (zero) decibéis é um limiar absoluto ideal (não precisa necessariamente ser o meu, ou o teu limiar absoluto, mas foi aquele determinado para a elaboração da medida). Por se tratar de uma medida logaritma, 60 decibéis, a medida de uma conversa normal, representam um aumento na ordem de 10.ooo vezes sobre 20 decibéis, a medida de um sussurro. A exposição prolongada a sons acima de 85 dB pode causar perda auditiva.
O aparelho auditivo é formado pelas orelhas, que canalizam o som para os canais auditivos que o levam ao tímpano, uma membrana que vibra com a mídia que transmite o som. O tímpano faz com que o som passe pelo martelo, bigorna e estribo, um conjunto de ossos que amplifica e transmite o som até a cóclea, uma concha provida de uma membrana em sua entrada, a janela oval, e recoberta pela membrana basilar, com suas células especializadas na captação sonora, as células ciliadas. O som que ouvidos é resultante da transdução da vibração destas células em impulsos nervosos que são transmitidos ao córtex auditivo no lobo temporal.
É importante notar que além das orelhas internas, médias e externas, a configuração dos nossos crânios também tem um papel na maneira como ouvimos, sendo que podemos notar isso, geralmente com alguma surpresa, na diferença percebida ao ouvirmos nossas próprias vozes reproduzidas em algum meio eletrônico em relação à maneira como ouvimos nossas vozes enquanto falamos.
A teoria espacial, que afirma que sons de diferentes intensidades disparam células em diferentes áreas da membrana basilar da cóclea, e portanto um número diferente de células, explica como somos capazes de detectar diferentes níveis de alturas elevadas; enquanto a teoria da freqüência afirma que toda a membrana basilar vibra com a chegada dos sons, na mesma taxa da onda que chega, de forma que as células ciliares disparam alternadamente, explicando assim como podemos ouvir sons de altura baixa. Ambas as teorias combinadas são úteis para explicar como ouvimos os sons intermediários.
A localização de nossas orelhas também demonstra sua função adaptativa, pois estando fixadas em dois lados opostos do crânio permitem que tenhamos uma idéia da direção e distância de onde os sons que ouvimos se originam, a audição estereofônica. Enquanto nossos olhos são voltados para a frente, nos conectando com uma porção do mundo exterior delimitada pelo nosso campo de visão, os ouvidos completam nossa percepção dos objetos externos que não estão ao alcance do sentido do tato, da termocepção ou mesmo do olfato, nos trazendo informações daquilo que está a nossa volta.
A perda auditiva condutiva se refere à problemas com a condução mecânica das ondas sonoras, e a perda auditiva sensorioneural se refere à danos nas células ciliadas receptoras da cóclea e/ou de seus nervosos associados.

Fontes:
Myers, Psicologia; Davidoff, Introdução à Psicologia.

Curiosidades:
Você sabia que a exposição prolongada à poluição sonora causa um grande impacto na saúde do organismo, sendo uma fonte de estresse que pode resultar em doenças em razão do esgotamento do sistema nervoso e cardiovascular?
Que muitos prédios considerados como assombrados nada mais são do que áreas de grande poluição de infra-sons, que podem se originar por causas tão diversas quanto o trânsito automotivo, atividade industrial e o vento, cuja exposição continuada pode causar mal estar, desorientação e até mesmo alucinações auditivas e visuais em seres humanos?
Que deficientes visuais, com algum treinamento, podem se guiar pelo fenômeno da ecolocalização humana que capta a posição e a distância dos objetos de diferentes materiais pela reflexão das ondas sonoras, emitidas pelo bater de uma cânula oca ou por estalos com a língua?
Que o sentido da audição também está sujeito a ilusões, assim como o sentido da visão?

Fontes: Myers, Psicologia; Davidoff, Introdução à Psicologia.
Blog: PsicologiaRG

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resumão - Sensação e percepção

Sensação e Percepção (resumão)


Aviso: Este resumo de nada serve sem o acompanhamento das aulas e o estudo do conteúdo dos livros. A finalidade deste resumo é servir como ferramenta de memorização e fácil acesso às informações já conhecidas e compreendidas no contexto de aula.

Sensação:

Estímulos captados do ambiente por meio dos aparelhos sensoriais que são codificados como sinais neurais.
Obs.: além dos cinco sentidos tradicionais (visão, audição, tato, paladar e olfato), também dispomos de outros sentidos, tais como: propriocepção e cinestesia, que nos indicam a posição e a aceleração relativa do nosso corpo; termocepção, relativo à temperatura; nocicepção, relativo à dor; etc...

Transdução:
É o processo pelo qual nossos sentidos convertem a energia de um estímulo em mensagens neurais.

Percepção:
Processo que envolve a seleção, a organização e a interpretação das informações captadas pelos sentidos.

Dica: lembrar do termo sensopercepção -> primeiro vem a sensação, que é a captação dos estímulos, depois a percepção, que é o processamento da informação.

Processamento do tipo inferior ou ascendente (bottom-up):
Quando é feita a análise partindo da captação do estímulo.

Processamento do tipo superior ou descendente (top-down):
A maneira como nossa mente (experiências, expectativas, estado emocional, etc) influenciam a captação e o processamento das informações captadas pelos órgãos sensoriais.

Limiares absolutos:
Energia mínima de um estímulo para ser detectado em 50% das vezes .

Teoria da detecção de sinais:
Preocupa-se com a seletividade e com a variação dos limiares absolutos nos indivíduos, tendo em conta seus contextos e estados físicos e emocionais, buscando relações de causalidade.

Estimulação subliminar:
Nosso limiar absoluto aponta para o limite de nossa percepção a um determinado estímulo sensorial em 50% das vezes, ou seja, deixaremos de detectar o estímulo na metade do tempo, mas na outra metade somos capazes de detectá-lo. Durante algum tempo foi explorada a capacidade de persuasão por meio de estímulos que permanecessem abaixo do limiar absoluto, passando desapercebidos para a maioria das pessoas na maior parte do tempo.
Enquanto podemos, em certas situações, ser influenciados pela estimulação subliminar de maneira sutil e fugaz, seus efeitos não são duradouros nem fortes o suficiente provocar grandes mudanças comportamentais ou cognitivas.

Limiar diferencial:
É a menor diferença necessária para que uma pessoa seja capaz de distinguir dois estímulos na metade das tentativas. Exemplo: a maioria das pessoas não conseguem distinguir entre a ponta de um ou de dois dedos repousados sobre suas costas (tato), ou o aumento de um peso que estão erguendo quando este é superior a um quilograma e lhe são adicionadas dez gramas.

Lei de Weber (ou lei de Weber-Fechner):
Proporção constante que aponta o limiar diferencial para um estímulo específico, ou seja, a relação entre a energia de um estímulo e a intensidade com que o mesmo é percebido.

Adaptação sensorial:
A redução de nossa sensibilidade para estímulos que não se modificam. Caso especialmente interessante é o dos olhos, que permanecem constantemente realizando movimentos imperceptíveis, que permitem a atualização daquilo que vemos.

Aparelhos Sensoriais:

Visão:
Trata-se captação e processamento da energia eletromagnética que flutua em intensidade e comprimento de onda de raios gama, refletida pelos objetos que nos cercam. O comprimento de onda determina a cor, e a intensidade é determinada pela quantidade de energia contida nas ondas luminosas.
O olho é um aparelho sensor de grande complexidade, formado pela córnea, que além de proteger o órgão também curva e decompõe a luz; pela pupila, abertura pela qual a luz passa, responsável por controlar a quantidade de luz que entra no olho e onde se dá o efeito de inversão da imagem (a imagem é projetada de cabeça para baixo na retina); o cristalino, que focaliza os raios luminosos na retina alterando sua curvatura em um processo chamado acomodação; a retina, uma camada de neurônios especializados em captar a luz, sendo que sua parte mais sensível se chama mácula (ou fóvea), zona de cor mais escura na retina pela alta concentração de células, com maior definição de cores e formas que nas regiões periféricas.
A acuidade visual é a precisão com que nossos olhos são capazes de captar os estímulos luminosos. Dentre as deficiências mais comuns nesta capacidade estão a miopia, responsável por um foco inadequado das imagens anterior à retina, e o astigmatismo, o oposto da miopia, onde a imagem chega à retina sem que o foco adequado tenha sido feito.
O disco óptico é o ponto no qual o nervo óptico se conecta ao olho, sendo conhecido, também, como ponto cego - trata-se de uma zona desprovida de neurônios especializados na captação de estímulo luminoso.
Seguindo pelo nervo óptico, a informação visual passa por uma decussação, o quiasma óptico, onde a imagem captada pelo olho direito é transmitida para o hemisfério esquerdo e a imagem captada pelo olho esquerdo é transmitida para o hemisfério direito.
A imagem então viaja até o córtex visual, no lobo occipital, onde começa a ser processada na busca de padrões, movimento, etc. A medida que avança para a direção frontal, a informação visual é distribuída por estruturas especializadas no lobo temporal e no lobo parietal, passando por um processamento cada vez mais complexo que não apenas reconstrói a imagem como também lhe dá significado em nível consciente.
A complexidade do sistema visual o torna ideal para ilustrar o processamento paralelo que se dá no cérebro: diversas informações são processadas de diversas formas de maneira simultânea, em níveis conscientes e inconscientes, que integram formas, significados, linguagem e sentidos.
A visão colorida é fruto de três tipos diferentes de cones especializados em diferentes comprimentos de onda, informação esta que posteriormente passa pelo processo oponente, onde as informações das cores captadas pelos cones são processadas aos pares, opostos. O fenômeno da constância da cor se dá pelo trabalho ativo do cérebro na percepção das cores, apresentando cores mesmo onde elas não deveriam mais estar evidentes, fenômeno semelhante se dá com o preenchimento do ponto cego da visão, por meio da informação periférica à tal ponto.

Para refletir: Em dias nublados a luz é filtrada pelas nuvens e o contraste diminui, mesmo que a intensidade se mantenha ou seja ampliada, desta maneira o vermelho parece menos vermelho, o verde parece menos verde, o azul parece mais azul e assim por diante, sendo que em algumas culturas tais dias são denominados dias cinzentos. Pessoas deprimidas também apresentam uma percepção de contraste de cores diminuída. Em um dia ensolarado uma pessoa clinicamente deprimida poderá ter uma percepção de cor diferente de uma pessoa saudável. Desta maneira, você acredita que a maneira como percebemos as cores podem afetar o nosso humor, da mesma maneira que o nosso humor pode afetar nossa percepção de cores? Nossa percepção de cores pode influenciar nossa vida psíquica? Poderá uma percepção deficiente das cores ser um dos fatores que influenciam o sugirmento de uma depressão?

.:.


Fontes: Myers, Psicologia; Davidoff, Introdução à Psicologia.
Blog: PsicologiaRG

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Palestra com a Profª Drª Iraí Cristina Boccato Alves

Olá,Psicos....

Ontem 26 de Agosto,nós alunos de Psicologia na Anhanguera Unia,tivemos no Campus II a oportunidade assistir e participar de uma palestra ministrada pela Profª Drª Iraí Cristina Boccato Alves,considerada uma das maiores figura em testes psicológicos e avaliações psicológicas em nosso país;que por sua vez foi empossada no dia 25 de Agosto na Academia Paulista de Psicologia.
 Foi uma nova experiência e muito proveitosa, pois trouxe à tona temas pertinentes às Avaliações e Testes Psicológicos,que são muito importantes em nossa futura profissão.


Obrigada e até mais.....

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Boas Vindas...!!!!!!!!

Olá....gostaria de agradecer a cada pessoa que acessar este blog à partir de hoje,ele é muito importante para eu poder concretizar minhas idéias e tudo aquilo que estou aprendendo sobre a Psicologia,sobre o ser humano,a essência de cada ser,agradeço por vocês estarem partilhando comigo esta alegria de poder conhecer a Psi e me tornar íntima dela...que já faz e fará ainda mais,parte da minha vida,e agradeço também e principalmente à Deus e minha família por poder exercer meu conhecimento e assim poder estar mais junto de Deus a cada dia e ajudar mais ao meu próximo.



Muito Obrigada...!!!!!!!!!!!!!!


Sejam Bem Vindos....!!!!!!!